Exame para identificação precoce de Alzheimer provoca polêmica

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Doença de Alzheimer, que afeta 4,7% da população mundial acima dos 60 anos, é um dos maiores fantasmas para quem envelhece, até porque não tem prevenção, nem cura. Estima-se que o risco de desenvolver a enfermidade dobre a cada dez anos depois dos 60.

Há também o Alzheimer precoce, que se manifesta entre 30 e 60 anos, mas que atinge apenas 1% dos indivíduos. Nesse caso, é resultado de mutações genéticas e o fator hereditário é preponderante.

Se você herda o gene mutante, o Alzheimer vai aparecer por volta dos 50 anos de idade – com certeza absoluta. E seu filho tem uma chance de 50% de sofrer com o mesmo problema. Nos demais, o estilo de vida desempenha papel relevante.

Já está disponível no mercado um teste de identificação de genotipagem que custa em torno de R$ 600 e faz esse mapeamento.

Exame só em condições específicas

Em entrevista ao G1, o médico Rodrigo Buksman, clínico geral, geriatra e membro da International Society to Advance Alzheimer´s Research and Treatment, enfatiza: “trata-se de uma predisposição, ou seja, de um aumento de suscetibilidade, mas ele não é necessário nem suficiente para o desenvolvimento da doença”. É nesse ponto que os especialistas divergem: se a maioria da população não tem o gene, será que prescrever o exame não poderia apenas trazer ansiedade e estresse?

Por isso mesmo, o doutor Buksman alerta que o teste de identificação de genotipagem, para checar se existe essa predisposição, deve ser feito em condições bem específicas. “Vai depender de um conjunto de manifestações clínicas que configurem um quadro no qual o teste genético possa influenciar na conduta médica de forma útil. Diante de um resultado desfavorável, a pessoa terá condições de tomar decisões importantes sobre a própria vida, valendo-se de estratégias que possam postergar um eventual desfecho ruim. Eu me refiro a praticar exercícios físicos e adotar uma dieta alimentar saudável, porque o estilo de vida conta muito. É bastante frequente que o paciente só se sinta motivado a aderir a mudanças quando recebe um resultado como esse”, afirma.

Ainda não há medicamentos que revertam as principais mazelas decorrentes da doença, como falhas de memória ou dificuldade para executar tarefas simples, embora dezenas de drogas estejam em fases avançadas de testes. Por enquanto, a batalha dos médicos é para combater os sintomas.

Os riscos de saber antes se você tem poderá ter a doença

Sobre os aspectos psicológicos de saber, com anos de antecedência, que há um risco para doença sem que exista um medicamento para preveni-la, o geriatra cita artigo do “New England Journal of Medicine”, que acompanhou filhos de portadores de Alzheimer que realizaram o teste. Enquanto, obviamente, os que deram negativo sentiram-se aliviados, os que tiveram resultado positivo não apresentaram sinais significativos de ansiedade, tristeza e estresse.

Com informações do G1

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