Metade dos idosos faz sexo e índice é mais alto entre homens

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Ainda há quem pense que o sexo é algo raro quando se entra na terceira idade. Ledo engano. Pesquisa divulgada pelo Datafolha, ontem, no jornal Folha de S. Paulo revela que metade dos idosos faz sexo e índice é mais alto entre homens.

O levantamento ouviu 2.732 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O resultado mostra que o declínio da prática sexual é gradativo. Na faixa de 55 a 59 anos, 75% dizem que costumam fazer. Na de 60 a 70, o índice cai a 58% e, depois, a 43% na de 71 a 80 anos.

A enquete aponta que, após essa idade, 31% afirmam ainda manter relações. A redução da atividade sexual está ligada tanto a questões biológicas como sociais, afirmam especialistas. E os dois fatores ajudam a entender também por que há tanta diferença de gênero quando se trata do assunto.

Diferença: idosa x idoso

De acordo com a pesquisa, de cada cem homens com 60 anos ou mais de idade, 83 responderam que costumam ter relações sexuais, ante 29 de cem mulheres.

Mesmo considerando-se que há mais idosas do que idosos, a conta não fecha. A publicação questiona se teriam eles relações com parceiras mais jovens?

Professora da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do Programa de Estudos em sexualidade do Hospital das Clínicas, Carmita Abdo explica que a idade traz consequências diferentes para elas e para eles em relação ao sexo.

Na menopausa, a mulher deixa de produzir hormônios responsáveis pela lubrificação da vagina, o que pode causar dor nas relações.

Já entre homens, afirma, há a partir dos 40 anos uma queda de um ponto percentual por ano na testosterona, hormônio responsável pelo desejo sexual. “Aos 80 anos, eles têm ainda um apetite razoável”, diz. Também entre as mulheres há uma queda no nível de testosterona, mas, segundo Abdo, trata-se de algo mais difícil de mensurar.

Driblando a falta de desejo sexual

A boa notícia é que soluções não faltam para ativar a libido. Para elas, cremes vaginais para a hidratação, de preferência à base de estrogênio (mas não necessariamente); lubrificante para o momento da relação; e, a depender de avaliação médica, reposição hormonal.

Além disso, tanto para eles como para elas, alimentação balanceada e exercícios físicos são fundamentais para garantir uma boa circulação sanguínea e manter o tônus muscular. Os homens contam ainda com medicamentos contra a disfunção erétil, como o Viagra.

O psicólogo e gerontólogo José Carlos Ferrigno lembra ainda que nem tudo é físico. “Sexualidade envolve sentidos, fantasias e representações”, afirma.

Fatores culturais podem atrapalhar?

Cremes, remédios, estilo de vida e conselhos à parte, é inegável, porém, que fatores de ordem cultural acabam por interferir na busca pelo prazer feminino.

“A mulher muitas vezes tem a ideia de que só vai fazer sexo se estiver bonita. Ou, mesmo que tenha a relação, ela fica mais concentrada em como está sendo avaliada ou em se esconder do que ter prazer”, diz a coordenadora do Programa de Estudos em sexualidade do Hospital das Clínicas, Abdo.

Doença X Sexo

A reportagem pontua o drama vivido por Luciana (nome fictício), 82, em boa parte da vida. Após um câncer de mama, ela passou a usar camiseta nas relações – o que foi um avanço em relação à forma como se sentia antes. “Logo que fiz a cirurgia, não queria nem sair de casa”, conta ela, que prefere não ser identificada.

A reserva em relação à aparência não a impediu, no entanto, de viver o sexo após a terceira idade. Hoje em dia, ela diz não pensar mais no assunto, mas teve um namorado cerca de 20 anos mais jovem quando ficou viúva, quase aos 70.

O homem, o garanhão – será?

Em um depoimento revelador, o administrador financeiro Carlos Alberto Nascimento, 62, afirma que as expectativas em relação ao sexo mudam de acordo com a idade. Hoje ele diz achar mais importante a qualidade das relações do que a frequência delas – ao contrário, pondera, do que acontece com muitos de sua geração. “Quando envelhece, o homem quase sempre quer ser o garanhão que nunca foi. Já a mulher busca a qualidade que não teve antes.”

Essa busca masculina pela imagem de garanhão pode estar por trás da disparidade de gênero revelada pela pesquisa, avalia a psicóloga Giovanna Lucchesi, do Instituto Paulista de Sexualidade.

A psicóloga diz à Folha, que, em sua opinião, os homens têm mais dificuldade em admitir que não têm relações. “A construção da sexualidade feminina é muitas vezes podada por questões sociais, já os homens são bastante incentivados a falar”, diz.

Renda e escolaridade

Segundo a pesquisa Datafolha, além do gênero, o nível de atividade sexual varia também de acordo com a escolaridade e renda, em todas as faixas etárias.

Entre os idosos, são ativos 75% dos que ganham mais de cinco salários mínimos, contra 46% entre os que têm renda de até dois salários.

Para especialistas, a explicação pode estar no maior acesso a serviços de saúde, já que uma boa condição física no geral é pressuposto para uma vida sexual saudável.

Com informações do UOL e do jornal Folha de S. Paulo e centrape

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